Hoje é segunda-feira, está chovendo e acordei chupando um limão. Dia perfeito para ouvir e resenhar In Rainbows, a nova OBRA do grupo inglês.
O Radiohead, nós sabemos, já foi a melhor banda do mundo. OK Computer foi um disco perfeito, uma obra-prima que amadureceu o já ótimo The Bends e o asséptico, mas excelente e divertido Pablo Honey (eu gosto, seus Indie guei). Kid A foi muito bom, e Amnesiac também é se você se forçar a entender. Só que eu sou burro e não quis. Acabei que passei reto pelo Hail to the Thief só por birra.
9 anos depois de começar a ouvir a banda graças à PROPAGANDA DO CARLINHOS, hora do filho pródigo retornar à casa. Vamos ao disco:
15 Step: Pô, pelo nome esperava algo meio PUMP IT UP. Tá, claro que não. Mas é bem animada, batidinha pra cima e um vocal meio JANIS JOPLIN ESTÁ TENDO UM FILHO COM PRINCE no início. Depois já tá mais normal, intervenção do violão e o Thom de sempre. Legal essa. E olha só, criancinhas gritando! Agora o Yorke é o MJ! Boa essa também.
Bodysnatchers: Camarões me abracem! O início é meio COUNTRY ROCK mozamigos. Estou quase esperando a participação de Sheryl Crow. Mudou! Que do caralho essa música! Agora DISTORÇÕES, que é pra lembrar que estás ouvindo Radiohead. E uns “hu hu hu” pra ficar bem Special K. Uma guitarrinha que já ouvi em alguma música da trilha de Tony Hawk. Vocais de sempre. Gostei pra caralho, entrava certinho no OK Computer e vou ouvir exaustivamente. Hideo Kojima ficaria orgulhoso, SEU.
Nude: Ah porra, não gosto desses vocais. Eu sei que é estranho, afinal eu sou um fã do Radiohead e o Thom faz DIRETO, mas é tão… desnecessário. Você aí, indie inocente e indie juvenil pode até torcer o nariz AGORA, mas essa música ia ficar com o magrão do Coldplay cantando. A letra é do caralho e tem um dos trechos mais legais desde “somos acidentes esperando para acontecer”: “So don’t get any big ideas,
They’re not going to happen“. E ainda rola um instrumental meio Across the Universe depois, é de se admirar. Ah, gostei apesar de tudo. Eu gosto de tudo, se fuder.
Weird Fishes/Arpeggi: Eu vou perdoar o violão meio Legião Urbana porque a bateria tá simplesmente do caralho nesse início. A letra é bacana, um lance meio suicídio encontra Virgílio de A Divina Comédia, o vocal idem. E o instrumental segue do caralho a música toda. Eu já disse que o Radiohead é o campeão mundial em Crescendos na música?
All I Need: Violinos de novo. E uma batida de deixar o The Streets intrigado. Gostei das distorções. Vocal legal, efeitos legais. Ah, porra, estou burro e não sei o que escrever. Mas é legal, e lembra ALGUM JOGO de videogame.
Faust Rap: Porra, gostei. A letra é incompreensível (é o Thom do século 21, gente boa), claro, mas o instrumental é agradável, com belo uso de CORDAS e VIOLÃO. Sem batidas japa-raio laser, alarmes ou surpresas. Começou bem. Parece a faixa 4 de OK Computer misturada com alguma coisa mais antiga que esqueci.
Reckoner: OPA, temos uma intro OUSADA. Tecladadas bem OK Computer, um violão acompanhando, que do caralho. Notem que escrevo enquanto ouço. MARACAS! Que foda. Só o THOM podia ter feito um vocal normal nessa, essa voz meio ASSIM não está agradando. Se bem que a partir de 01:45 ficou bom. Porra, pera, depois da metade ficou legal pra caralho. Parece uma música dos Beatles que eu tô tentando lembrar agora e assoviei pro CASTRO no MSN (era Because, achei aqui). Pá, gostei também. Só podia ser o vocal normal que o Thom guarda pra quando ele precisa passar em algum TESTE PSIQUIÁTRICO. Ou pelo menos o menos afetado de Idioteque.
House of Cards: O nome é bom. E gosta dum violão o Yorke, puxa. Vozes do além meio SOMEWHERE OVER THE RAINBOW/SINGING IN THE RAIN. Thom fazendo uma voz normal, como eu queria antes. Tá, não precisava do eco, mas tá legal. E o refrão é inteligível, o primeiro do Radiohead em uns 8 anos. Batidinha bem Beatles. Os menininhos de Liverpool estão uma CONSTANTE nesse disco. OPA, entrou um CRESCENDO na música, muito bom. Legal a música, vai ser o grande hit na hora de dançar juntinho nas festinhas indie de garagem no verão. Tonighhhht, TONIIIIIIIIGHT. Podiam cortar um pouco do final, mas é que eu estou velho.
Jigsaw Falling Into Place: OPA. OPA. Estou na intro. Está animadinha, violão alegre. E agora está rolando um efeito ABERTURA DE ANIME. E, santo Deus, Thom está cantando normal. Só ficou PERTURBADO na hora certa. E o CRESCENDO na música no finzinho, é foda também, daqueles que o Radiohead faz melhor, tipo o de Let Down.
Videotape: Tinha saído um tempo atrás, e o Bruno tinha inclusive passado por MSN. E eu não ouvi. O que foi bom, até agora não gostei. Lembro uma música ruim do Grandaddy. Graças a Deus entrou uma bateriazinha. E as batidas do final, boa! O conjunto é razoável se fores fã, magrão. Só a dureza é admitir que melhora quando o Yorke fica em silêncio. No fim, a saideira foi o Dedé Santana do disco.
No fim de tudo, é um bom álbum, dá pra colocar na frente do Hail e do Amnesiac PELO MENOS. Me agradou tanto quanto o Eraser, disco solo do nosso bom amigo. Apesar de algumas aviadadas do Thom no vocal, fica o bônus por seguir um instrumental mais conservador como o de OK Computer, sem deixar de oferecer uma experiência musical completa e diferenciada.
Top 3 (sem ordem)
Bodysnatchers
Jigsaw Falling Into Place
Weird Fishes/Arpeggi
8,5/10.