Final de 1996, Mega Drive e Super Nintendo já há muito subiram no telhado e passaram o bastão para N64, Saturn e Playstation.
Nos fliperamas, a febre dos jogos de luta se prepara para viver o último grande ato, com Street Fighter Alpha 2, X-Men vs. Street Fighter e King of Fighters ‘96 dominando os duelos. O primeiro já conta com conversões para Saturno e Playstation, transcrições praticamente perfeitas do arcade, e em breve os demais seguiriam o mesmo caminho.
E eis que a Capcom, estranhamente ( Vale lembrar que um ano antes a Capcom ignorou o aparelho da Nintendo ao converter Super Street Fighter II Turbo para o 3DO), lança SFA 2 para SNES, em uma conversão competente, apesar das limitações óbvias do console. Ter esse jogo em mãos era um dos meus sonhos de guri, devidamente “realizado” nos dias de hoje. E é baseado na jogatina com o cartucho em meu SNES que vai aí a pequena resenha.
Gráficos: O grande destaque do jogo. Os bonecos sofreram o resize padrão para o SNES, na mesma proporção que os jogos anteriores da série tiveram no console. Alguns quadros de animação dos personagens foram limados/simplificados, especialmente nos golpes simples utilizados em especiais “Custom” dos personagens. Além disso, os próprios cenários foram simplificados, amenizando os elementos que se moviam ao sabor da luta (menininha no cenário do Dhalsim, barco no cenário de Rose) ou simplesmente eliminando-os, como fez com os punks no mictório do cenário de Birdie. Entretanto, o resultado é de superar as expectativas: O jogo de luta com gráficos mais belos de SNES (Entre os jogos bons, Killer Instinct então fica fora).
Jogabilidade:O cerne do jogo é o mesmo da versão original de fliperama: Todos os especiais, possibilidade de taunts e custom specials estão disponíveis, nada foi cortado tampouco simplificado. Entretanto, o jogo tem slows demais, simplesmente travando antes do início dos rounds por 5 segundos, e mesmo durante a batalha é percebível algumas caídas na taxa de frames, algo que pode (e VAI) irritar o jogador acostumado com a versão de fliperama. Ainda assim, a jogabilidade é competente e não compromete, sendo possível utilizar especiais e zero counters com a facilidade presente no fliperama. Alguns jogadores podem ter problemas de timing devido a lentidão na tela às vezes, mas é contornável. E joguem em Turbo 2.
Som: Se os gráficos e jogabilidade seguram a peteca legal com perdas compreensíveis, o som é o destaque negativo do jogo. A trilha sonora de SFA 2 já não é grande coisa: Desinspirada e burocrática, fica muito aquém da trilha empolgante da série “original”. Talvez como meio de economizar espaço no cartucho, a conversão para o Super Nintendo, as músicas foram convertidas de um jeito pra lá de vagabundo, lembrando a qualidade sonora das versões piratas de SF II no NES ou um jogo de GBA. Para um videogame com o chip de som fantástico como o do SNES, é uma lástima.
Conclusão: SFA 2 é o canto do cisne do SNES: A tentativa da Capcom de levar o hardware do console já moribundo às últimas consequências, convertendo um jogo que já foi levemente podado para rodar em máquinas bem superiores ao 16 bits da Nintendo.
Ainda assim, com as óbvias perdas em gráficos e jogabilidade, é um jogo muito divertido. Fica como presente da Capcom aos fãs que suportaram a empresa no console por 5 anos. Vale a chance.