- Um ano atrás, em tempos mais felizes, eu costumava comentar com a Dani da importância dos clichês. Os pontos que você sabe reconhecer em filmes, em livros, que conferem certa estabilidade, certa segurança de “saber onde você está indo” ou onde vai parar. A certeza de um final feliz ou ao menos familiar confere certo conforto numa jornada, seja qual for.

Transpondo a barreira da ficção para a realidade, temos nos “portos seguros” a versão dia-a-dia do clichê. Aquele lugar que você sabe que a atendente bonitinha sempre vai te atender com um sorriso, a choperia que sempre toca a mesma marchinha alemã, a certeza de uma cerveja gelada ali no fundo da geladeira ou mesmo de uma cama confortável ali no fim da tarde. São os elementos que conferem consistência, coesão, a sensação de que, no pior caos possível, você sempre tem um chão consistente onde pisar. Um apoio. Um farol.

Por conta de fatos recentes da minha profissão, os últimos dias tem sido de caos e incerteza que, marujo novato que sou, têm me afligido. Mais do que nunca, preciso desses portos seguros. Preciso passar em algum lugar onde eu sei quem vai estar e sei que receberei um aceno e um sorriso, preciso me convencer terminantemente que, no fim, amanhã o sol nasce de novo.

Ou, se preferirem, preciso de uma cerveja.