Para de me iludir, pô!

Os amigos sabem, eu sou o maior fã vivo (entre os três que restam) do Barrichello na F1. Barrichello é um ícone da minha infância e adolescência na F1, meu ídolo, em um momento que o início da minha consciência crítica em relação às corridas coincidiu com o acidente que ceifou Senna. Por conta dessa admiração e torcida, eu gostaria de estar mais animado com os testes da Brawn GP nessa pré-temporada.

O ritmo impressiona. Nesse exato momento, Barrichello dispõe do melhor tempo dos testes de Barcelona de hoje. De manhã, foi o segundo. E, ontem, Button colocou um segundo sobre a Ferrari de Massa. Concorrentes, especialmente Fernando Alonso, já elogiam o ritmo forte do time e o colocam em posição privilegiada para a disputa do caneco de 2009.

Sei não.

Primeiro, causa estranheza a posição da McLaren fechando praticamente todos os testes na rabeira do grid. A presença alternada de Toyota e Williams entre os ponteiros, por exemplo, também é uma anormalidade em relação aos resultados comuns durante a temporada. Testes, como se sabem, são utilizados pelas equipes como parâmetros para reações dos veículos a novos componentes, tecnologias e soluções aerodinâmicas. Especialmente nessa temporada, em que os testes durante o ano foram praticamente aniquilados.

O que temo é que as equipes “menores”, e entre elas a Brawn, estejam apresentando esse desempenho vicejante por estarem correndo com o “básico”, com a base, enquanto os times maiores, McLaren em especial, já tenham essa base pronta, e estejam utilizando os testes de Barcelona somente para testar novas soluções, na base da tentativa-e-erro. O que justificaria o desempenho fraco na Espanha.

Desejo mais que ninguém uma temporada fantástica à Brawn, tanto pela coragem de Ross Brawn em assumir um time expurgado de maneira covarde pela Honda como foi quanto pela minha já explicada torcida por Barrichello.

Mas que está difícil de acreditar nesses testes, ah, isso está…