Estamos a menos de uma semana do início da Temporada 2008 da F1, a.k.a “O Esporte Mais Legal do Mundo”. 18 provas. 1 campeão. E algumas frases de efeito baratas como esta durante o ano aqui no blog.
De início, algumas previsões para a temporada, baseadas no meu imenso não-conhecimento de F1. Começamos pelos times:

Ferrari: Ah, a Ferrari. A sem-vergonhice em forma de time. Raikkonen, atual detentor do caneco, já começará com vantagens, não se iludam. E mesmo em condições de igualdade, não creio que Massa seja capaz de superar o finlandês ao fim do campeonato. Como o carro, superior aos demais, vem voando nos testes, creio em um título rosso. E nórdico também.
McLaren: Uma relação desgastante com Fernando Alonso, o escândalo da espionagem, os erros infantis de Lewis Hamilton perdendo um título ganho: Não foram poucos os percalços que o time de Woking passou em 2007. E isso terá reflexo em 2008, com um time mais azedo, sem Fernando como guia no desenvolvimento do Mp4 e com um segundo piloto que ainda é uma incógnita. Lewis, ao menos, não tem mais que temer alguém de talento semelhante ameaçando seu prestígio no time, deve superar Kovalainen com facilidade na maioria das provas. Braço, velocidade e prestígio no time para isso tem.
BMW: Esqueçam a BMW. Se o F1.07 tinha problemas de confiabilidade de câmbio, o F1.08 aparentemente é um carro instável. Não adianta uma usina eficiente e confiável como é a da BMW se a distribuição de peso no chassi e suspensão do carro não estiverem em equilíbrio. Podem se considerar com sorte se manterem a posição de “terceira força” do mundial.
Renault: Carlos Ghosn, o poderoso presidente da montadora, nunca escondeu seu leve desprezo pela F1. Para mim, o time tem prazo de validade, e só segue por causa de Briatore. É inegável que a presença de Alonso enriquece e muito a equipe, e o notável talento do espanhol pode levar o monoposto a resultados impossíveis em 2007, como pódios. Mas não se pode esquecer que Alonso saiu da Renault após um 2006 mutuamente desgastante, não conta com a amizade e apoio do staff do time e encara seu compromisso com os franceses com leve desdém, um mata-tempo até a sonhada vaga na Ferrari em 2009. Nelson Piquet, assumidamente segundo piloto e em seu ano de estréia na F1, não deve conseguir fazer muito. Engana-se quem espera um desempenho de Hamilton: A Renault não é a McLaren e, especialmente, Nelsinho não é Lewis. A conferir.
Williams: A grata surpresa dos testes da temporada. Uma dupla de pilotos jovem e rápida, um motor rápido, os chassis confiáveis de sempre e, principalmente, o staff profissional. Nunca duvidem da Williams: junto com McLaren e Ferrari, são os únicos times sérios da F1. Compostos só de gente competente. Entre Thiessen e Head, sinceramente, quem você acha que vai voltar a vencer antes? Caso consigam superar as dificuldades de orçamento e controlar o estabanado (porém veloz) Nakajima, terão uma grande temporada.
Red Bull: Há dinheiro, o projetista é competente. Por que a Red Bull não entusiasma ninguém? A resposta está na dupla de pilotos abaixo da média do grid (um Coulthard lento e envelhecido, um Webber que não engana mais ninguém) e no motor cliente Renault. Algumas chances de bom desempenho em pistas de asfalto liso sem ondulações (aonde Adrian Newey sempre se deu bem com seus carros) e alguns shows esporádicos de Webber nas qualificações.
Toyota: Lamentável. O time mais sem graça da história da F1 tem tantas chances de um bom desempenho em 2008 quanto é o seu carisma: zero. Uma dupla de pilotos ruim, um projeto tocado por quem não entende nada do assunto, a Toyota deve continuar sendo a piada da categoria por mais este ano. Que tem boas chances de ser o último.
Honda: É triste o quê o amadorismo pode fazer com uma fábrica de história vitoriosa na F1. A Honda tem potencial, uma excelente dupla de pilotos e um passado brilhante no automobilismo. Falta seriedade na delegação de tarefas e aprimoramento aerodinâmico: o RA108 parece tão desajeitado e lento quanto seu antecessor, e embora Ross Brawn tenha sido uma grande jogada, não dá para esperar resultados da presença do mago inglês para esta temporada. Quanto ao desempenho dos pilotos do time, espero o mesmo de sempre. Rubens motivado e rápido no primeiro semestre, Button barbeirando bastante, Rubens desmotivado e quase parando no crepúsculo do campeonato e, sinceramente, carreira. Quero estar bem enganado.
Toro Rosso: Pegue o escrito acima sobre a Red Bull, corte metade do dinheiro e multiplicado por 2 o talento dos pilotos. A Toro não deve superar o time-mãe: Mateschitz não tem interesse nisso, e nem seus recursos permitem. Mas pode surpreender em algumas provas, especialmente na chuva, graças ao imenso talento da sua dupla: Vettel, que queimou minha língua no fim da temporada 2007, e Bourdais, que chega dos EUA com a autoridade de quem cansou de vencer nos mistos da América.
Force India: Um time promissor. Com recursos, uma boa dupla de pilotos. Deve fazer figuração constante no fundo do grid, mas certamente com desempenho melhor que a desastrosa Midland e a fraca Spyker. Os indianos tem um projeto sério para a F1. Caso o entusiasmo persista, podem a longo prazo surpreenderem. Este ano, é brigar nas três últimas filas.
Super Aguri: A situação do time de Suzuki é melancólica. Sem dinheiro sequer para os testes de pré-temporada, e sobre especulações constantes sobre o futuro do time, será uma grande vitória caso consigam meramente terminar a temporada, mesmo com a recente venda ao ingleses do Magma Group. Sato e Davidson, em um carro ruim e que não pôde ser desenvolvido em testes, devem fechar os grids. Triste, para quem chegou a ultrapassar Alonso por fora em 2007.