SURPREENDENTEMENTE, parece que as equipes e a FIA fecharam um acordo e teremos a F1 de sempre ano que vem, sem alarmes, sem surpresas. Que é exatamente o que qualquer um com as sinapses nervosas em dia sabia que ia acontecer.
Desde o início, essa agitação promovida principalmente pela Ferrari tinha o único objetivo de exorcizar Max Mosley do comando da FIA, defenestrando nosso bom velhinho sadô antes que ele concluísse sua mais importante cruzada: minar o poderio econômico e financeiro das montadoras sobre o futuro da categoria.
Max sempre defendeu a necessidade de proteger e valorizar as equipes garageiras perante montadoras como Renault, Toyota e Mercedes (não se enganem com a McLaren). O ocorrido com a Honda, que abandonou o circo em cima da hora e sem dar satisfação para ninguém, é exemplo maior que ele tinha razão.
Não é de hoje que as montadoras querem vê-lo fora. Talvez o que tenha surpreendido é que Max tenha apresentado sete vidas ao escapar brilhantemente da polêmica envolvendo as prostitutas fantasiadas de nazistas em 2008 (sejamos sinceros: quem mais no mundo ia ser flagrado com várias prostitutas, num simulacro de campo de concentração, apanhando nu e conseguir escapar de maneira quase incólume?).
O episódio do “racha” entre F1 e FOTA é só mais um duelo na gigantesca arena de egos que envolve a Formula 1. Um tigre de papel, um truque de cartas, um jogo de espelhos, use seu clichê favorito. O real objetivo? Enfraquecer Max a ponto que ele não dispute a (quinta!) reeleição em outubro.
Fico decepcionado apenas com o modo como essa crise foi abordada pela imprensa brasileira. Custa a acreditar que jornalistas sérios como Flávio Gomes tenham comprado essa história e demonstrado crença, mesmo, de que o racha era sério e definitivo.
Por favor, no mundo de hoje, que categoria começa em seis meses, na magnitude que uma Renault, uma McLaren, uma Ferrari e uma Toyota exigem?
E os direitos de transmissão? Os royalties pelos direitos de imagem oriundos da transmissão? Contratos com patrocinadores?
Muita ingenuidade achar que um blefe desses daria em algo.